domingo, 23 de outubro de 2011

Fisioterapeuta ou nutricionista?

                Tenho uma amiga muito engraçada, quem a conhece entende o que estou falando! A gente consegue dar risada só de olhar para a cara dela. É daquelas que reclamam fazendo piada das “desgraças”. Outro dia estávamos sentadas na varanda, em sua casa, aliás, uma casa linda, modelo anos 40 ou 50, na região central da cidade. Antes de chegar à tal varanda, subimos uma escadinha muito simpática e nos deparamos com três cadeiras e uma mesinha central. Ali sentamos e, mesmo sem querer, pudemos apreciar a bela vista de um ângulo lindo da terrinha!
               
                      Apesar do bom humor peculiar da criatura, ela sente muita dor no corpo, principalmente no pescoço, uma fibromialgia, às vezes controlável. Bom, conversando, ela me disse que está controlando muito a alimentação para diminuir triglicérides e até está frequentando uma nutricionista. 

              De repende ela me disse: - você não vai acreditar no que fiz outro dia, as coisas não estão fáceis! Estava pra ir em uma fisioterapeuta por causa da dor no pescoço. Peguei até a receita do médico pra fazer as tais sessões. Mas me lembrei que teria marcado nutricionista.

            Daí peguei o papel da fisioterapeuta – pra ir depois – e “bati ” para a nutricionista! Cheguei lá e logo fui chamada pra entrar no consultório. Quando entrei, dei de cara com uma moça cruzando as pernas, totalmente fora de interação comigo, a coisa mais distante que já vi... E me disse formalmente:
 - Posso lhe ajudar com algo?
– Eu achei a coisa mais esquisita, mas se eu estava lá pra consultar então resolvi falar logo: vim aqui porque meu pescoço está doendo muito e o médico me disse que preciso de fisioterapia!

- A moça (nutricionista) ficou olhando pra minha cara... e me lembrei! Meu Deus, esquece tudo, aqui não é pra curar o pescoço e blá blá blá...
- Eu dei muita risada na hora, e acredita que a moça era tão esquisita que não prestou nem pra rir de mim ou pra mim?

domingo, 9 de outubro de 2011

Mais vale a vida de um bichinho?

Como já foi dito – “Mar é complexo de mineiro”! Bom, nesse caso e não sei se particularmente aqui, no sul de Minas e no interior paulista, pesqueiros estão na moda. Lugares em que as pessoas vão para pescar, passar o dia e depois levar os peixes para casa, ou vão para passear, para comer peixes, ou simplesmente para tomar uma cerveja ao lado da água doce, curtir a paisagem e prosear bastante. De um jeito ou de outro, o dia passa frescamente...!
Nos pesqueiros existem alguns aquários nos quais as pessoas colocam os peixes que pescam. Era verão. Várias pessoas pescavam e colocavam seus peixes naqueles aquários.  No final da tarde as pessoas que trabalhavam no pesqueiro limpavam os peixes e os “donos” os levavam!
Tenho algumas amigas que são defensoras dos animais. Daquelas que encontram animais em mal estado na rua e levam pra casa. Daquelas que choram pela morte de um bichinho!
Bom... Estávamos no pesqueiro! Eu e amigas conversando muito, comendo tira-gostos variados e tomando cerveja. Ficamos a tarde toda e foi muito agradável. Em frente à mesa em que estávamos reunidas, visualizava-se um aquário.
Uma das nossas amigas estava sentada bem em frente a um dos aquários, onde um tilápia enorme nadava de lá pra cá, daqui pra acolá. E nadava desesperadamente. Em segundos atravessava o aquário todo, e por instantes parece que pedia socorro. –Sabe quando a gente toma umas biritas e tudo aflora? Pois é... O peixe pedia socorro!
E ali ficamos uma, duas, três horas... E o peixe nos olhando e pedindo por socorro. Nossa amiga, que estava bem de frente para o peixe, ao findar à tarde, não resistiu: muito discretamente – tão discreta que pra ser sincera nem eu vi - pegou a tilápia e jogou de volta no açude.
E a moça ali voltou, tragou a cerveja com a alma lavada e mais doce que nunca! A tilápia foi devolvida ao paraíso, ao nicho de onde nunca deveria ter saído. E ali ficamos... Nem percebemos o feito da colega salvadora!
Dali a pouco, quase noitinha, hora de ir para a casa, um homem moreno, muito alto e muito forte se aproximou e bateu com os dedos nas costas da nossa amiga, dizendo: - moça, você sabe nadar? Ela olhou pra cima, querendo se esconder debaixo da mesa, mas respondeu completamente trêmula: - sei sim, mas agora já está muito frio!
Uma pessoa solitária que estava tomando cachaça no balcão teria entregado a colega: - foi ela que jogou seu peixe no rio! Primeiro o moreno, “dono” do peixe teria perguntado à moça que limpava os peixes: Meu peixe está pronto? A moça respondeu: - Que peixe? E aí vocês já sabem. E agora, o que nossa amiga fará pra devolver o peixe que salvara?
- E aí moça, não vai pegar meu peixe de volta? – Tá muito frio moço! 

- Que tá frio tá, mas o que eu vou dizer pra minha mulher quando chegar em casa?  Passei o dia todo no pesqueiro e vou levar um frango assado? Já imaginou que a patroa vai me fritar em vez de fritar o peixe?
O pesqueiro todo se voltou praquela conversa, até que a santa cozinheira do local disse que tinha uns peixes lá que ele podia levar, que até já estavam limpos!
O moreno olhou a moça advertidamente... Mas sinceramente ainda não sei se ela aprendeu a lição, ou se se arrependeu!
É... Não sei não! Acho que ainda hoje faria a mesma coisa pra salvar a vida de um bichinho!
Sim, eu concordo, mas bicho é bicho e eles pagam um preço pela liberdade!
Olha que uma gatinha esteve comigo durante 3 semanas, me afeiçoei à gatinha! Só que eu não a prenderia em minha casa e ela ficava no quintal e eu a alimentava com ração e dava água: o principal para sua sobrevivência. Mas como ela estava prenha, não conseguiu fugir das garras de um cachorro que a matou na madrugada!
Tudo bem é triste! Eis o preço da liberdade dos gatos que não conseguem escapar da aventura ao ver a luz a luz da lua!