sábado, 11 de dezembro de 2010

“Daqui não saio daqui ninguém me tira”

Sempre me dei melhor com as ciências exatas e biológicas do que com as humanas. E na tentativa de seguir uma pós-graduação, fiquei encantada por epidemiologia e pela professora que hoje é minha orientadora. Nas andanças, resolvi que gostaria muito de prestar o concurso para mestrado em saúde pública. E essa área se compõe de diferentes disciplinas que se completam.
Pela minha história profissional, meus contatos foram mais com pesquisas e assuntos biológicos. O olhar social de certa forma me fascinava, apesar de muito novo e difícil. Mesmo assim resolvi enfrentar o desafio.
Peguei as referências para estudar para a prova do concurso e segui firmemente! Teria que estudar textos sobre saúde do trabalhador, serviços de saúde, planejamento e gestão, e alguns outros que também não tinha tido contato anteriormente. Foi realmente desafiante, pois o tempo era curto e a linguagem não me era familiar.
E segui... Confesso que passei algumas semanas assombrada com tudo aquilo, mas principalmente um texto me pegou. Sim, aquele pra mim era o mais difícil. Quase impossível! Relia cada parágrafo “milhões” de vezes. Fui aos dicionários “centenas” de vezes. E pensava que se esse texto caísse na prova eu me afundaria, teria que adiar o sonho de mestrado em saúde pública e os estudos em epidemiologia. Fui ver quem era o autor e, pelo sobrenome, tive a sugestão de que fosse uma japonesa. Meu Deus! Acho que essa mulher escreve em japonês! Por via, nada contra japoneses, pelo contrário, mas confesso que eles me intimidam um pouco.
Mas segui... Estudei tudo com carinho e passei no concurso. Quando me lembrava dos estudos e da prova, me chegavam uma mistura de medo e até mesmo certo fascínio, me lembrando principalmente do texto da japonesa que me dera tanto trabalho. Mas acho que nunca mais o olharia, nunca mais precisaria dele. Pelo contrário que ele fosse ruim, todavia, muito além do que eu teria tido contato anteriormente que pudesse me trazer base para fazer uma boa leitura e entendê-lo bem.
E o curso seguiu fluentemente... Com algumas dificuldades, mas nada que não se superasse, e já com alguma bagagem queria novamente ler aquele texto, porém o tempo passou e não o fiz, ficando apenas as lembranças na memória.
Terminei o mestrado e comecei o doutorado, na mesma área. Para minha grande surpresa e para um novo estado de ansiedade, eu teria que cursar uma disciplina obrigatória do curso. Uma disciplina que novamente exigiria conteúdos distantes de mim. A professora? Nem me perguntem: a japonesa autora do texto difícil! Eu não teria como escapar e agora seria cara a cara, vai ou não vai. O que seria? O que eu faria?
E segui... Mais uma vez tive que encarar. Era obrigatório para o curso! Cheguei ao primeiro dia de aula e não parava de rir de tanto nervosismo, minhas mãos suavam tanto! Não vou dar conta... O coração batia forte, me ajeitei em um lugar mais atrás e a ansiedade saía de dentro de mim e rolava pela cadeira. Os colegas chegavam e nos cumprimentávamos, e mais aumentava o meu nervosismo, à espera da professora que conduziria a disciplina... E meu medo era não acompanhar nada.  E quando eu esperava uma japonesa para começar a aula, vi entrando na sala uma loura com sotaque espanhol! Franzi a testa, olhei firmemente e me perguntei: - como assim?
Sim, uma bela mulher muito amável, sorridente, conversando com todos informalmente e finalmente expondo o conteúdo da disciplina de uma maneira tão tranquila e tão clara que me restou  me encantar pelos acontecimentos, e o conteúdo agora poderia ser mais compreensível.
Alguns dias depois, uma colega me disse que, pelo ano que entrei no curso, essa disciplina não seria obrigatória para o meu currículo, que eu poderia deixá-la, se quisesse. Mas me restou cantarolar tranquilamente: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”...!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Era uma bela tarde de sol....

...E que sol! E eu daria aulas naquela tarde. Quando cheguei à escola, a diretora me disse que o local que eu ministraria as aulas estaria em reforma a partir daquele dia. Ela me deu a opção de usar outro local, também em reforma, porém em melhor estado. – Paciência! Vejamos como ele estará. Chamamos a colega que daria aula no mesmo horário que eu e fomos até lá averiguá-lo. Vimos que estava tudo bem, mas havia um galpão coberto e do lado deste ambiente, lá em baixo, imaginem-se olhando como da janela de uma casa de dois andares, havia uma área enorme, toda gramada, era linda! E não contávamos que o que dividia as áreas seria uma altura de aproximadamente uns 4 metros, onde se construiria uma arquibancada, e estava sem proteção alguma.
            A diretora logo ficou preocupada: - Meninas, vocês não podem vir pra cá, e se as crianças caírem dessa altura? Realmente ficamos preocupadas, mas decidimos que antes de levar os alunos para a aula, os advertiríamos que não pudessem chegar perto do “precipício”.   - Tudo bem! Está combinado. A “chefa”, ainda preocupadíssima, nos disse: - pelo amor de Deus, não deixem as crianças nem chegarem perto deste local! E assim ficou combinado, conversamos com as crianças claramente e advertidamente.
            Chegou a hora de irmos ao local da aula. Eu, a colega de trabalho e os alunos. Aproximadamente 80 alunos na faixa etária de 11 a 12 anos. A colega me disse mais uma vez: - Ma, precisamos ficar espertas com as crianças. E vocês imaginam como elas são: rápidas, elétricas, felizes, e até mesmo ansiosas! Às vezes os adultos não dão conta de acompanhá-las e é claro que elas passam na frente, e correm e brincam e saltitam! Um horror de maravilha da natureza, que deveríamos nos acostumar!
            Fomos... As crianças, como eu já havia descrito: saltitantes, alegres e rápidas. Nós duas preocupadas, mas confiantes nos acordos que fizemos com elas. A molecada corria na frente em uma algazarra que não teria fim e nós duas, apenas na tentativa de detê-las.
            Quando chegamos ao local, rapidamente por um minuto, nos deparamos com a meninada, principalmente os meninos, saltando “o precipício” e gritando na maior euforia! Um atrás do outro, só víamos que eles desapareciam buraco abaixo, parecia um suicídio em massa... Lá em cima só nós sobramos, as professoras e algumas meninas mais comportadas. Olhei para a colega apavorada, coloquei as mãos na cabeça. Ela me olhou com as mãos nas pernas, mais apavorada que eu! E tínhamos que nos arrancar alguma coragem pra olhar o que estaria acontecendo lá embaixo. Atonitamente e apavoradas, nos aproximamos do local “de guerra”! Olhamos... O quadro que visualizamos foi moleque atrás de moleque caindo e saindo correndo euforicamente e gargalhando de felicidade!
            Eu disse à colega que teria tido uma dor profunda nas costas ao presenciar tal episódio. Assustadamente ela me disse: - minhas pernas gelaram e me senti simplesmente sem pernas! Todavia nos restou confiarmos mais na astúcia, na coragem e nas brincadeiras naturais de toda criança saudável!

O que usar pra dormir?

Sem querer discutir a aparência, eu diria brevemente que vestir-se bem e ser uma mulher elegante não é pra qualquer uma. Parece que mulheres elegantes já nascem assim, com qualquer pijama estão lindas. Algumas têm tudo pra serem bonitas e não conseguem, outras têm tudo pra serem feias e chamam atenção por alguma beleza. Mas talvez, se arrumar com sabedoria seja importante, embora algumas, quanto mais se pintam, pior fica o quadro.
                Confesso que tenho alguma dificuldade pra me “enfeitar”. Prefiro logo o básico, algum despojamento, é como me sinto mais à vontade. Já melhorei muito, mas antigamente acho que eu até exagerava, ou queria simplesmente ser diferente. Em contato com pessoas que caprichavam no visual, fui mudando meu jeito de me vestir, não exatamente que eu quisesse mudar, porém por influência (algumas mulheres também são influenciáveis). Um dia, já há um bom tempo, conversando com uma amiga eu disse a ela que queria ser hippie, e me vestir como eles. Ela me olhou assustada e não hesitou em dizer, gargalhando: - você já é! Pois é, eu nem me tocava como me vestia!
                E voltando às mudanças e aos contatos com pessoas que se vestem bem ou se vestem normalmente, faço o que posso pra ser como elas. Sei que não preciso, mas também não quero chamar atenção. Porém é difícil, se coloco um colarzinho discreto, os sapatos são esquisitos, se capricho nos sapatos, a bolsa é meio diferente, e por aí vou...
                Uma noite dormi em um hotel e teria aula no outro dia de manhã. Poderia fazer frio e levei um par de meias para usar enquanto dormia. As meias tinham listas verdes e brancas, um verde claro, meio arregalado, bonitinha, mas esquisitinha! Levei uma jaqueta nova, bacana, e acordei com um frio danado de manhã. Então vesti a jaqueta, uma calça normal e coloquei um colarzinho de pérolas, bijuteria de moda. Como estava muito frio, não tive dúvidas, fui pra aula de meias verdes e um sapato marrom aberto atrás, imagine! Claro que eu usaria as meias, não passaria frio nos pés!
                Estava tranquilamente assistindo a aula, quando uma colega que estava atrás e mim enviou-me um recadinho por escrito. Essa colega se produzia e estava sempre muito bem arrumada. E eu vivia dizendo que teria o que aprender com ela.
                Mas voltando ao recadinho, estava escrito: - você vai acabar aprendendo! Depois fala que sou eu que sou “Pat”. E essa jaqueta de babadinho que você está usando? Dei muita risada do recadinho e nem notei que minha jaqueta nova teria “babadinhos”! Quando acabou a aula, ela me disse: - Estou gostando de ver, linda sua jaqueta, o colar também, esse sapatinho é interessante, um conforto básico, mas Má, essa meia! Essa meia... Um par de meias assim não se usa nem pra dormir sozinha!