...E que sol! E eu daria aulas naquela tarde. Quando cheguei à escola, a diretora me disse que o local que eu ministraria as aulas estaria em reforma a partir daquele dia. Ela me deu a opção de usar outro local, também em reforma, porém em melhor estado. – Paciência! Vejamos como ele estará. Chamamos a colega que daria aula no mesmo horário que eu e fomos até lá averiguá-lo. Vimos que estava tudo bem, mas havia um galpão coberto e do lado deste ambiente, lá em baixo, imaginem-se olhando como da janela de uma casa de dois andares, havia uma área enorme, toda gramada, era linda! E não contávamos que o que dividia as áreas seria uma altura de aproximadamente uns 4 metros, onde se construiria uma arquibancada, e estava sem proteção alguma.
A diretora logo ficou preocupada: - Meninas, vocês não podem vir pra cá, e se as crianças caírem dessa altura? Realmente ficamos preocupadas, mas decidimos que antes de levar os alunos para a aula, os advertiríamos que não pudessem chegar perto do “precipício”. - Tudo bem! Está combinado. A “chefa”, ainda preocupadíssima, nos disse: - pelo amor de Deus, não deixem as crianças nem chegarem perto deste local! E assim ficou combinado, conversamos com as crianças claramente e advertidamente.
Chegou a hora de irmos ao local da aula. Eu, a colega de trabalho e os alunos. Aproximadamente 80 alunos na faixa etária de 11 a 12 anos. A colega me disse mais uma vez: - Ma, precisamos ficar espertas com as crianças. E vocês imaginam como elas são: rápidas, elétricas, felizes, e até mesmo ansiosas! Às vezes os adultos não dão conta de acompanhá-las e é claro que elas passam na frente, e correm e brincam e saltitam! Um horror de maravilha da natureza, que deveríamos nos acostumar!
Fomos... As crianças, como eu já havia descrito: saltitantes, alegres e rápidas. Nós duas preocupadas, mas confiantes nos acordos que fizemos com elas. A molecada corria na frente em uma algazarra que não teria fim e nós duas, apenas na tentativa de detê-las.
Quando chegamos ao local, rapidamente por um minuto, nos deparamos com a meninada, principalmente os meninos, saltando “o precipício” e gritando na maior euforia! Um atrás do outro, só víamos que eles desapareciam buraco abaixo, parecia um suicídio em massa... Lá em cima só nós sobramos, as professoras e algumas meninas mais comportadas. Olhei para a colega apavorada, coloquei as mãos na cabeça. Ela me olhou com as mãos nas pernas, mais apavorada que eu! E tínhamos que nos arrancar alguma coragem pra olhar o que estaria acontecendo lá embaixo. Atonitamente e apavoradas, nos aproximamos do local “de guerra”! Olhamos... O quadro que visualizamos foi moleque atrás de moleque caindo e saindo correndo euforicamente e gargalhando de felicidade!
Eu disse à colega que teria tido uma dor profunda nas costas ao presenciar tal episódio. Assustadamente ela me disse: - minhas pernas gelaram e me senti simplesmente sem pernas! Todavia nos restou confiarmos mais na astúcia, na coragem e nas brincadeiras naturais de toda criança saudável!

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