Sempre me dei melhor com as ciências exatas e biológicas do que com as humanas. E na tentativa de seguir uma pós-graduação, fiquei encantada por epidemiologia e pela professora que hoje é minha orientadora. Nas andanças, resolvi que gostaria muito de prestar o concurso para mestrado em saúde pública. E essa área se compõe de diferentes disciplinas que se completam.
Pela minha história profissional, meus contatos foram mais com pesquisas e assuntos biológicos. O olhar social de certa forma me fascinava, apesar de muito novo e difícil. Mesmo assim resolvi enfrentar o desafio.
Peguei as referências para estudar para a prova do concurso e segui firmemente! Teria que estudar textos sobre saúde do trabalhador, serviços de saúde, planejamento e gestão, e alguns outros que também não tinha tido contato anteriormente. Foi realmente desafiante, pois o tempo era curto e a linguagem não me era familiar.
E segui... Confesso que passei algumas semanas assombrada com tudo aquilo, mas principalmente um texto me pegou. Sim, aquele pra mim era o mais difícil. Quase impossível! Relia cada parágrafo “milhões” de vezes. Fui aos dicionários “centenas” de vezes. E pensava que se esse texto caísse na prova eu me afundaria, teria que adiar o sonho de mestrado em saúde pública e os estudos em epidemiologia. Fui ver quem era o autor e, pelo sobrenome, tive a sugestão de que fosse uma japonesa. Meu Deus! Acho que essa mulher escreve em japonês! Por via, nada contra japoneses, pelo contrário, mas confesso que eles me intimidam um pouco.
Mas segui... Estudei tudo com carinho e passei no concurso. Quando me lembrava dos estudos e da prova, me chegavam uma mistura de medo e até mesmo certo fascínio, me lembrando principalmente do texto da japonesa que me dera tanto trabalho. Mas acho que nunca mais o olharia, nunca mais precisaria dele. Pelo contrário que ele fosse ruim, todavia, muito além do que eu teria tido contato anteriormente que pudesse me trazer base para fazer uma boa leitura e entendê-lo bem.
E o curso seguiu fluentemente... Com algumas dificuldades, mas nada que não se superasse, e já com alguma bagagem queria novamente ler aquele texto, porém o tempo passou e não o fiz, ficando apenas as lembranças na memória.
Terminei o mestrado e comecei o doutorado, na mesma área. Para minha grande surpresa e para um novo estado de ansiedade, eu teria que cursar uma disciplina obrigatória do curso. Uma disciplina que novamente exigiria conteúdos distantes de mim. A professora? Nem me perguntem: a japonesa autora do texto difícil! Eu não teria como escapar e agora seria cara a cara, vai ou não vai. O que seria? O que eu faria?
E segui... Mais uma vez tive que encarar. Era obrigatório para o curso! Cheguei ao primeiro dia de aula e não parava de rir de tanto nervosismo, minhas mãos suavam tanto! Não vou dar conta... O coração batia forte, me ajeitei em um lugar mais atrás e a ansiedade saía de dentro de mim e rolava pela cadeira. Os colegas chegavam e nos cumprimentávamos, e mais aumentava o meu nervosismo, à espera da professora que conduziria a disciplina... E meu medo era não acompanhar nada. E quando eu esperava uma japonesa para começar a aula, vi entrando na sala uma loura com sotaque espanhol! Franzi a testa, olhei firmemente e me perguntei: - como assim?
Sim, uma bela mulher muito amável, sorridente, conversando com todos informalmente e finalmente expondo o conteúdo da disciplina de uma maneira tão tranquila e tão clara que me restou me encantar pelos acontecimentos, e o conteúdo agora poderia ser mais compreensível.
Alguns dias depois, uma colega me disse que, pelo ano que entrei no curso, essa disciplina não seria obrigatória para o meu currículo, que eu poderia deixá-la, se quisesse. Mas me restou cantarolar tranquilamente: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”...!

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