domingo, 9 de outubro de 2011

Mais vale a vida de um bichinho?

Como já foi dito – “Mar é complexo de mineiro”! Bom, nesse caso e não sei se particularmente aqui, no sul de Minas e no interior paulista, pesqueiros estão na moda. Lugares em que as pessoas vão para pescar, passar o dia e depois levar os peixes para casa, ou vão para passear, para comer peixes, ou simplesmente para tomar uma cerveja ao lado da água doce, curtir a paisagem e prosear bastante. De um jeito ou de outro, o dia passa frescamente...!
Nos pesqueiros existem alguns aquários nos quais as pessoas colocam os peixes que pescam. Era verão. Várias pessoas pescavam e colocavam seus peixes naqueles aquários.  No final da tarde as pessoas que trabalhavam no pesqueiro limpavam os peixes e os “donos” os levavam!
Tenho algumas amigas que são defensoras dos animais. Daquelas que encontram animais em mal estado na rua e levam pra casa. Daquelas que choram pela morte de um bichinho!
Bom... Estávamos no pesqueiro! Eu e amigas conversando muito, comendo tira-gostos variados e tomando cerveja. Ficamos a tarde toda e foi muito agradável. Em frente à mesa em que estávamos reunidas, visualizava-se um aquário.
Uma das nossas amigas estava sentada bem em frente a um dos aquários, onde um tilápia enorme nadava de lá pra cá, daqui pra acolá. E nadava desesperadamente. Em segundos atravessava o aquário todo, e por instantes parece que pedia socorro. –Sabe quando a gente toma umas biritas e tudo aflora? Pois é... O peixe pedia socorro!
E ali ficamos uma, duas, três horas... E o peixe nos olhando e pedindo por socorro. Nossa amiga, que estava bem de frente para o peixe, ao findar à tarde, não resistiu: muito discretamente – tão discreta que pra ser sincera nem eu vi - pegou a tilápia e jogou de volta no açude.
E a moça ali voltou, tragou a cerveja com a alma lavada e mais doce que nunca! A tilápia foi devolvida ao paraíso, ao nicho de onde nunca deveria ter saído. E ali ficamos... Nem percebemos o feito da colega salvadora!
Dali a pouco, quase noitinha, hora de ir para a casa, um homem moreno, muito alto e muito forte se aproximou e bateu com os dedos nas costas da nossa amiga, dizendo: - moça, você sabe nadar? Ela olhou pra cima, querendo se esconder debaixo da mesa, mas respondeu completamente trêmula: - sei sim, mas agora já está muito frio!
Uma pessoa solitária que estava tomando cachaça no balcão teria entregado a colega: - foi ela que jogou seu peixe no rio! Primeiro o moreno, “dono” do peixe teria perguntado à moça que limpava os peixes: Meu peixe está pronto? A moça respondeu: - Que peixe? E aí vocês já sabem. E agora, o que nossa amiga fará pra devolver o peixe que salvara?
- E aí moça, não vai pegar meu peixe de volta? – Tá muito frio moço! 

- Que tá frio tá, mas o que eu vou dizer pra minha mulher quando chegar em casa?  Passei o dia todo no pesqueiro e vou levar um frango assado? Já imaginou que a patroa vai me fritar em vez de fritar o peixe?
O pesqueiro todo se voltou praquela conversa, até que a santa cozinheira do local disse que tinha uns peixes lá que ele podia levar, que até já estavam limpos!
O moreno olhou a moça advertidamente... Mas sinceramente ainda não sei se ela aprendeu a lição, ou se se arrependeu!
É... Não sei não! Acho que ainda hoje faria a mesma coisa pra salvar a vida de um bichinho!
Sim, eu concordo, mas bicho é bicho e eles pagam um preço pela liberdade!
Olha que uma gatinha esteve comigo durante 3 semanas, me afeiçoei à gatinha! Só que eu não a prenderia em minha casa e ela ficava no quintal e eu a alimentava com ração e dava água: o principal para sua sobrevivência. Mas como ela estava prenha, não conseguiu fugir das garras de um cachorro que a matou na madrugada!
Tudo bem é triste! Eis o preço da liberdade dos gatos que não conseguem escapar da aventura ao ver a luz a luz da lua!

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